quarta-feira, 2 de julho de 2014

Capitalist Casualties


O Capitalist Casualties é uma das mais importantes bandas do power violence, sendo formada ainda antes deste gênero ser assim chamado, em 1987. Apesar de não soar como a maioria das bandas de power violence da época, ainda assim é considerada como integrante, já que na época o power violence era mais visto como uma comunidade de algumas poucas bandas de locais próximos, letras similares, que costumavam tocar juntas. Sua primeira demo é datada de 1988, uma tape com 26 músicas gravada no lendário Gilman Street. Na época a formação contava com Shawn nos vocais, Matt na bateria, Jeff no baixo e Bowen na guitarra. O som nesta demo era um hardcore remetendo aos primeiros registros do DRI. O próximo álbum foi o EP The Art Of Ballistics, lançado pela Slap A Ham, já com um som mais rápido, vocais raivosos e contando com Mike, o guitarrista mais icônico da banda, com o seu estilo inconfundível. 


Em seguida, continuando na Slap A Ham, veio o primeiro full lenght da banda, o LP/CD Disassembly Line, cuja versão em CD ainda continha o primeiro EP como bônus.
Basicamente com esta formação, o Capitalist Casualties lançou seus próximos registros: o split com o The Dread, outra banda de Jeff, sendo o primeiro lançamento do selo dele, o Six Weeks; os EPs Raised Ignorant; Live Butchery; o split com o Discordance Axis e o excelente split LP com o Man Is The Bastard, um dos clássicos do power violence. A banda seguia bastante produtiva e nesta fase ainda saíram o split com o MDC, com os japoneses do Slight Slappers, com o Ulcer e com a alemã Stack.  

Boa parte desta fase foi reunida na compilação A Collection Of Out-Of-Print Singles, Split EP's And Compilation Tracks. Então a banda sofreu uma alteração, entrando Max Ward (Spazz, Plutocracy) na bateria, trazendo seu estilo característico. Com isso, o som acabou ganhando mais toques de thrashcore, com um ritmo mais quebrado e indo mais próximo da sonoridade power violence. Nesta fase a banda lançou os álbuns:  Os EPs Dope And War, Dark Circle e Planned Community , o LP Subdivisions in Ruin e os splits EP com Monster X, Unholy Grave e Macabre.
Esta outra fase da banda foi documentada na coletânea 1996-1999 Years In Ruin ‎(CD, Six Weeks).


Durante os anos 2000 o Capitalist Casualties não lançou muitos álbuns, mas volta com mais força por volta de 2008, agora com Haroldo na bateria, voltando a um som mais reto. Assim, lançaram os ótimos splits com Hellnation, Lack of Interest, e outros nem tanto como com o No Comply e Human Trade, e o LP gravado ao vivo no Japão, Live In Nagoya.
Com a extensa discografia da banda, nem todos álbuns são essenciais, mas no geral, o Capitalist Casualties tem uma ótima discografia, com excelentes músicas e letras críticas e inteligentes.

Nuclear National Park Demo Cassete (1988)

The Art Of Ballistics 7" EP (1991)

Disassembly Line CD/LP (1992)

Capitalist Casualties - Man Is The Bastard Split LP (1994)

A Collection Of Out-Of-Print Singles, Split EP's And Compilation Tracks CD (1997)

Subdivisions In Ruin CD/LP (1999)

1996 - 1999 Years In Ruin CD (2004)

Capitalist Casualties - Hellnation CD/LP (2008)

Capitalist Casualties - Lack Of Interest 7" EP (2010)

terça-feira, 1 de julho de 2014

No Comment


Como já anunciado anteriormente, o mês de julho será dedicado ao power violence, com postagens diárias, se possível. Espero que gostem e fiquem à vontade para comentar.
E para começar em grande estilo, a primeira postagem será do No Comment.

O No Comment foi formado, por volta de novembro de 1987, por quatro jovens em North Hollywood, Califórnia. A formação sempre contou com Vince (guitarra/baixo), Brent (baixo/guitarra), o mexicano Raul [Ralo Calzada] (bateria) e Andy Beattie (vocal). 
Tudo o que eles queriam era apenas aproveitar o tempo livre para tocar e mostrar que o hardcore ainda estava vivo, mas sem ter ligação com qualquer "cena". Provavelmente também não tinham ideia da importância que sua banda iria significar para o hardcore extremo.

Pouco tempo após o início, ainda em 1987, eles gravam a primeira demo tape, lançada pela Moby Dick Records. Nela o que se via era uma banda que lembrava a velocidade do primeiro álbum do D.R.I. mas soando ainda mais rápida e agressiva.
O No Comment já se mostrava contra o maltrato e uso de animais em laboratórios através das músicas "Jugular Scars" e "Guinea Piglet Alone", e também critica a sociedade em "Comunity Slugs" e "Scum Human" .
As gravações posteriores seriam aperfeiçoamentos no som já demonstrado nesta demo, mas sem grandes mudanças. 
Esta demo foi relançada em formato 7" EP em 1994, pela Noise Patch, com outra arte.

Em 1989 foi a vez do excelente 7" Common Senseless lançado pela Snare Dance Records. Este álbum continha duas músicas já gravadas na demo ("Community Slugs" e "World Of Difference"), mas desta vez com uma boa gravação e a banda soando ainda mais rápida.
Além das críticas à sociedade e às indústrias, eles seguem denunciando a exploração dos animais em "In The Name Of Stupidity" onde falam sobre vivissecção e em "Farmer Hitler John", que compara os matadoros aos campos de concentração. Até então Vince tocava guitarra e Brent baixo.

Chris Dodge, que no início dos anos 90 já estava lançando várias bandas de power violence pelo seu selo Slap A Ham, e já havia se interessado pelos registros anteriores do No Comment, resolveu lançar o próximo EP da banda e que viria a ser a obra-prima deles, o fantástico Downsided, em 1992. Difícil não definir este 7" como sendo simplesmente perfeito. Podia se imaginar que depois do Common Senseless, não seria fácil fazer músicas melhores, mas isso aconteceu no Downsided. Violento, agressivo, preciso, com constantes mudanças de velocidade, rápidas variações de acordes, uma bateria frenética e um dos melhores e mais raivosos vocais que o hardcore presenciou em sua história, são apenas algumas das características deste registro que foi um marco para o power violence e para o hardcore em geral. São 11 faixas memoráveis, agora com Brent na guitarra e Vince no baixo, com letras profundamente depressivas e sem esperança gritadas pelos vocais desesperados de Andrew, e terminando com a épica e lenta Curtains.

Pouco antes da banda terminar, mais precisamente em 2 de janeiro de 1993, eles participaram da primeira edição do Fiesta Grande (apesar de não constar no flyer do evento), o festival anual organizado pela Slap A Ham que ocorreu de 1993 até 2000 no 914 Gilman reunindo bandas de hardcore, power violence e grindcore. Naquela ocasião, também tocaram Assück, Man Is The Bastard, Crossed Out, Capitalist Casualties e Plutocracy. Daquele show, quando tocaram todo o Downsided, foram retiradas quatro músicas (Dead Stare For Life, Distant, Lament, Soiled By Hate) e fizeram parte da coletânea Fiesta Comes Alive! - The Best Of Slap A Ham Records Fiesta Grande #'1-5.

Juntamente com o Crossed Out, Capitalist Casualties, Neanderthal e Man Is The Bastard, o No Comment fazia parte do chamado "West Coast Powerviolence", mas um pouco diferente destas bandas, eles, assim como o Capitalist Casualties, não faziam muito uso das passagens sludge em suas músicas, o que mostra que o power violence não é definido apenas pelo som, mas também por ser uma pequena comunidade de bandas amigas de um determinado local (Califórnia) e período (fim dos anos 80 e início dos 90).

Em 1999 a Deep Six Records compilou todo material da banda e lançou o LP 87-93. Neste disco, além do primeiro 7", o Common Senseless e o Downsided, saíram gravações de shows no Country Club (04/1989) e no Spankys (06/1990) e também uma faixa inédita chamada "Life". Uma discografia mais completa saiu em CD, com todos as músicas do LP e mais a gravação na rádio KXLU 88.9 FM. O problema destas discografias, é que ambas não contem a faixa "Special Circumstances", do Common Senseless.

O No Comment ainda teve uma participação na coletânea Bllleeeeaaauuurrrrgghhh! - The Record 7'', lançado em 1991 pela Slap A Ham.

O compositor de grande parte das músicas era Brent, que curiosamente tinha como estilo preferido a música clássica. Tanto ele como Vince aparentemente desapareceram do hardcore depois do No Comment. Já Andy entrou para o Man Is The Bastard, depois para o Controlling Hand, e mais recentemente fez parte do Low Threat Profile e Dead Language. Raul já havia mostrado seu potencial na bateria do F.C.D.N. Tormentor, banda que fazia um rápido Thrash Metal. 

Em 2011, a Deep Six relançou o Common Senseless 7" e Downsided 7" em versões praticamente idênticas as originais, dando a oportunidade de termos estes clássicos por um preço acessível.
As gravações feitas no KXLU também foram relançadas pela Deep Six em 2013 como o EP Live On KXLU 1992.

Entre as bandas que mostram no seu som grande influência do No Comment, podemos citar Lack Of Interest, Backslider, xBrainiax, Hummingbird Of Death e claro, Low Threat Profile.

Integrantes:
Andrew Beattie - vocal
Vince - baixo/guitarra
Brent Jones - guitarra/baixo
Raul Calzada - bateria 


Demo Tape (1987)


Common Senseless 7" EP (1989)



Downsided 7" EP (1992)






87-93 CD (1999)

Live On KXLU 1992 7" EP (2013)



segunda-feira, 30 de junho de 2014

O mês da violência está chegando...

Em julho o blog completa a histórica marca de 5 anos. Para comemorar esta data, durante todo o mês haverá uma enxurrada de postagens com a especialidade da casa: o power violence! Aguardem...

sábado, 28 de junho de 2014

Always Never Fun


ANF, ou Always Never Fun, é uma banda italiana de Palermo que executa um hardcore/fastcore se enveredando de leve por caminhos do power violence. Seu primeiro álbum possui 15 músicas cantadas em inglês.

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Fastcore vigoroso diretamente de Budapeste, na Hungria e formado por integrantes do Crippled Fox.
Gravaram uma demo com 5 músicas em maio de 2012 e em dezembro do mesmo ano soltaram um EP com 13 sons, incluindo as regravações da demo, tocando ainda mais rápido. Mais recentemente lançaram o split com a banda italiana xKatexMoshx.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Infect


Infect foi uma banda de São Paulo formada em 1998. Se uma banda formada apenas por mulheres já não é algo muito comum no hardcore, ainda mais difícil é encontrar uma banda com um som tão rápido feito por garotas. Elas tocavam um fastcore influenciado por Lärm, Seein Red, No Violence e Discarga. Suas curtas músicas expunham críticas políticas e sociais, problemas como o machismo, preconceito e homofobia, que existem até mesmo no meio do punk/hardcore. 

Surgiram na mesma época em que o fastcore estava renascendo, e quando estavam surgindo algumas das principais bandas do gênero no Brasil, como I Shot Cyrus e Discarga. Estas bandas participaram da coletânea Thrashmaster, juntamente com Newspeak, Test Ban Treaty e Insanus.


Sua discografia, além da coletânea, é formada por uma demo tape de um ensaio, a demo Sendo Fogo, um 7" EP (2001) lançado pela Cospe Fogo, cujas músicas também fizeram parte do EP Estrépito (2002), lançado pela Commitment Records, da Holanda. O CD Split com o Discarga (2002) e o CD/LP Indelével (2003), o único full length delas durante sua existência, lançado pela 625 Thrashcore. A banda terminou em 2003, mas em 2007 a 625 Thrashcore lançou o CD Complete Discography 1998-2003, contendo toda discografia da banda, incluindo a demo e gravações inéditas ao vivo. 


Além do Infect, suas integrantes tocaram em diversas outras bandas. Estela no Dominatrix, Bianca no Arma Laranja e Tatiana também passou pelo No Violence, I Shot Cyrus, TPM, entre outras e Indayara foi a vocalista do Menstruação Anárquica e Juliana hoje toca na americana Replica.

(As demos não estão com uma qualidade muito boa, mas foi o que eu consegui. Se alguém tiver uma versão melhor, eu agradeço.)

Integrantes: 
Indayara - vocal
Estela - bateria
Tatiana - baixo
Juliana - guitarra
Bianca - guitarra


Sendo Fogo Demo

Demo Ensaio

Estrépito 7" EP (2002)

Infect - Discarga Split CD (2002)

Indelével CD/LP (2003)

Complete Discography 1998-2003 CD (2007)

domingo, 22 de junho de 2014

V.A. - Thrashmaster

Thrashmaster, de 1999, foi uma importante coletânea compilando algumas boas bandas nacionais de hardcore rápido do final dos anos 90, como Discarga, Infect e I Shot Cyrus. Além destas ainda conta com Newspeak, Test Ban Treaty e Insanus. Uma boa coletânea envolvendo amigos, já que Pierre, o baterista do Insanus, Pedro do Newspeak e Tatiana do Infect também chegaram a integrar o I Shot Cyrus.