sexta-feira, 4 de julho de 2014

Crossed Out


Mesmo que tenha tido menos de três anos de existência e apenas alguns álbuns lançados, isto foi o suficiente para tornar o Crossed Out uma das bandas mais influentes do hardcore extremo, em especial, do powerviolence, inclusive ainda fazendo seguidores. Embora seja notável a importância da banda para o estilo, é raro uma banda tão influente cujas as informações a seu respeito sejam tão escassas como no caso do Crossed Out, mas isso, muito provavelmente, seja em virtude da própria banda não ter a intenção de se auto-promover e manter-se, de certa forma, obscura.



A banda nasceu no início de 1990 em Encinitas, na Califórnia, formada por Tad Miller (bateria), Scot Golia (guitarra), Rich Hart (baixo) e Dallas Van Kempen (vocal) e tinha como influências Negative FX, Impact Unit, Neos, Siege, Rupture, Void, Deep Wound, Dropdead e a que mais se assemelhava a seu som: Infest. Eu diria que o que eles fizeram foi pegar as bases com rápidas mudanças de acordes, como o Infest fazia e acelerá-las, mas como diferencial, eles usavam mais das bases cadenciadas, sendo capazes de numa mesma música, irem de uma passagem extremamente acelerada para uma mais arrastada em instantes, neste ponto lembrando um pouco algumas músicas do Neanderthal. O que dava um toque mais sombrio e cru às músicas, eram as gravações sujas e sem grande qualidade.

As letras curtas mas muito ácidas não tinham a intenção de serem revolucionárias ou políticas, e sim demonstrar fortes críticas e ódio à sociedade e ao ser humano. A arte usada nas capas e encartes era simples e crua como o som, sendo em geral com imagens em preto e branco, inclusive fotos de assassinos em série famosos.
Curiosidade: Uma imagem clássica relacionada à banda, é aquela em que um homem aponta a arma para outro, esta imagem foi retirada do filme italiano Beyond. 


Em 1991 a banda gravou e lançou a sua primeira demo tape, contendo 7 músicas. Mais tarde declararam não ter gostado muito desta demo, mas foi o suficiente para despertar o interesse de Chris Dodge, que já estava começando a lançar alguns álbuns de powerviolence pelo seu selo, a Slap A Ham. Fazendo com que no mesmo ano saisse pelo selo um 7" EP com 7 músicas, mais agressivas e rápidas que a demo, terminando com a lenta mas extremamente raivosa "Crutch", cuja letra era apenas "Why? Because man always be man".



Em 1992 vieram as gravações que considero mais rápidas e brutais, os splits com Dropdead e Man Is The Bastard, apesar da qualidade de gravação ser inferior ao primeiro 7". O split com o Dropdead saiu em formato 5" em uma colaboração de vários selos (Crust Records, Selfless Records e Rhetoric Records) e contava com 10 músicas (4 do Crossed Out e 6 do Dropdead). Já o split com o Man Is The Bastard saiu pela Slap-a-Ham em 7" e de acordo com a banda, não ficou como o planejado, provavelmente pela guitarra ter ficado um pouco encoberta pelo baixo. 

Ainda em 1992, a banda participou da coletânea Son Of Bllleeeaaauurrgghhh 7" da Slap A Ham com as músicas "Ulcer" e "Homegrown".
Estes foram os únicos lançamentos oficiais da banda durante sua existência, também chegou a ser planejado um split com o Rupture mas isto acabou não se concretizando.

De acordo com as informações disponíveis na internet, a banda não fazia muitos shows, somando apenas 16 no total. Um desses shows foi realizado na primeira edição do festival "Fiesta Grande" em 2 de janeiro de 1993, tocando com No Comment, Assück, Man Is The Bastard, Capitalist Casualties e Plutocracy.  
Em outro show, em 21 de agosto de 1993 no Che Cafe, Eric Wood (Pissed Happy Children, Neanderthal e Man Is The Bastard) foi quem tocou o baixo.


Em 1994, foi lançada uma coletânea não-oficial, chamada Weat Coast Power Violence And More com Crossed Out, Dropdead e Desecration, sendo um 7" para cada banda. O 7" do Crossed Out reunia as músicas do primeiro 7", dos dois splits e da coletânea  Son Of Bllleeeaaauurrgghhh. Outro bootleg foi o Fuck Grindcore, baseado em uma frase dita pelo vocalista ao começar um de seus poucos shows. Esta coletânea é praticamente uma discografia da banda, contendo 35 músicas. Também saiu uma fita com gravações ao vivo do Crossed Out, Dropdead e Suppression.


Em 1999 a Slap A Ham compilou todo material gravado pela banda, acrescentando ainda 4 músicas do show no Che Cafe (Pure Delusion, Lowlife, Nightstalker e Practiced Hatred), as músicas gravadas na KSPC Radio em 27 de março de 1992, além de gravações de ensaio e versões não lançadas. Esta coletânea saiu em CD e LP e possui na imagem da capa uma foto de Albert Fish, o assassino em série.
Em 1997 a Slap a Ham lançou a coletânea Fiesta Comes Alive! - The Best Of Slap A Ham Records Fiesta Grande #'1-5 reunindo gravações ao vivo realizadas nos festivais. O Crossed Out participa com duas músicas Pure Delusion e Practiced Hatred .

Pelas informações disponíveis, seus integrantes surgiram no hardcore com o Crossed Out e com ele sumiram. Mas isto, de forma alguma, exclui os méritos desta excepcional banda. 

Boa parte das bandas influênciadas pelo powerviolence que têm surgido nos últimos anos, devem muito do seu som ao Crossed Out. Como exemplos, pode-se citar Hatred Surge, SFN, Scapegoat (Estados Unidos), Vile Intent, The Endless Blockade, Obacha (Canadá) While Male Dumbinance, Suffer (Austrália),Vacuum (Chile), SU19b (Japão). 


Demo Tape (1991)

Crossed Out 7" EP (1991)



Crossed Out - Dropdead Split 5" EP (1992)

Crossed Out - Man Is The Bastard Split 7" EP

Fuck Grindcore LP [Bootleg] (1998)

1990 - 1993 CD/LP (2000)

Entrevista com o vocalista:

4 comentários:

  1. Minha banda favorita é o Infest mas disparado o Crossed out é a melhor banda de pv fa história.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito bom gosto, Pedro.
      Crossed Out também é uma das minhas preferidas.
      Valeu pelo comentário!

      Excluir